Feira do Empreendedor ajuda a mudar história de artesãos de São João do Panelinha | Feira do Empreendedor da Bahia 2013
Feira do Empreendedor Sebrae

22 a 26 de outubro de 2013

das 13h30 às 22h

Centro de Convenções da Bahia

Feira do Empreendedor ajuda a mudar história de artesãos de São João do Panelinha

Com apoio do Sebrae, eles aumentaram a produção de biojóias e brinquedos feitos de cascas de coco, pupunha, licuri, piaçava e dendê

Quando foi criada há doze anos, a proposta central da Associação do Bairro Novo de São João do Panelinha era organizar pequenos artesãos que produziam bijuterias no fundo do quintal de casa. A localidade fica no município de Camacan, no sul da Bahia, uma das cidades mais atingidas pela crise da lavoura cacaueira e que, a partir dos anos 90, viu sua economia chegar ao fundo do poço e uma população inteira sofrer com a falta de perspectiva até de como garantir o sustento da família. A ideia associativista, entretanto, não vingou. Ao longo dos últimos anos, o que se viu foi “cada um por si” e pouco resultado prático na organização de um setor que revelava muito talento nas ideias, mas sempre viveu de poucas oportunidades na prática.

Fragilizados na organização, os artesãos estiveram nas mãos dos atravessadores. Produziram sempre muito e sempre ganharam muito pouco. “O pessoal viveu durante muito tempo trabalhando em quantidade, mas sem qualidade de vida. Vi muitas vezes atravessadores encherem um saco de anéis e eles, os grandes responsáveis pela produção, saírem com apenas cinco reais no bolso”, conta a prefeita de Camacan, Débora Castro. Mas a história dos 34 associados que insistiram no sonho de produzir arte, começou a mudar. Com o apoio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), entidade ligada ao Governo do Estado, eles ganharam, na própria comunidade, uma área especialmente projetada para abrigar a produção de artesanatos.

Só que faltava o essencial: encontrar o caminho de transformar a produção em um negócio rentável. Foi quando, há dois meses, aconteceu uma visita dos técnicos da unidade do Sebrae de Ilhéus. Eles trabalhavam na região, prospectando iniciativas pioneiras que pudessem ganhar uma visão empresarial e tornar-se um caso de sucesso. “Foi Deus quem mandou”, comemora Manoel Gomes Santana, de 39 anos, atual presidente da associação. “A ‘química’ foi grande. Juntou a fome com a vontade de comer. Procurávamos por uma ideia inovadora e encontramos pessoas dispostas a vencer um desafio”, revela o gestor do Sebrae José Carlos dos Santos, que hoje é o coordenador do projeto.

Feira do Empreendedor

O primeiro passo foi elaborar um diagnóstico que revelasse quais as principais necessidades dos artesãos. Depois, o Sebrae iniciou um trabalho de consultoria, que resultou na legalização da documentação da entidade e deu condições jurídicas ao seu pleno funcionamento. Também foi colocado à disposição da equipe um consultor de design para estimulá-los à descoberta de novas formas e de um melhor acabamento nas peças que já vinham sendo produzidas. E finalmente, o primeiro resultado prático, o grande estímulo para pessoas que jamais saíram de sua própria região: a participação no estande da Unidade Regional do Sebrae, no sul da Bahia, na Feira do Empreendedor, no período de 4 a 8 de outubro, em Salvador.

“Ficamos orgulhosos ao vermos os nossos produtos expostos”, afirma um emocionado Manoel. Mais que produtos nas prateleiras à disposição de um grande público, a chegada a Salvador já representou também avanço nos negócios. Uma doceira, especializada em cocada artesanal, viu e gostou. Encomendou 500 peças de cabaças de coco. Elas substituirão as caixas de papel na embalagem para presente e passarão a ser um novo atrativo da sua mercadoria. A equipe trabalha forte para atender a nova demanda. A boa perspectiva de negócio gerada a partir da viagem a Salvador, oferecida, sem custos, pelo Sebrae, uniu o grupo.

Cilene Teles Santos, de 31 anos, é esposa de um artesão e antes de participar do projeto cuidava da casa e dos filhos, no distrito de São João do Panelinha. Hoje é secretária da associação e acompanha a evolução do site que destaca os objetos e acessórios produzidos pelos associados. Um funcionário da Prefeitura de Camacan, toda semana, atualiza, com a inclusão de novas fotografias, a lista de produtos à disposição dos interessados. O ex-serralheiro Edmilson Santos, de 32 anos, comanda uma equipe de mais quatro pessoas na produção de 500 pares de brinco. Todos conquistaram há pouco o primeiro emprego. O filho de Manoel quando sai da escola vai direto para o local de trabalho ajudá-lo na produção.

Os artesãos de São João do Panelinha trabalham com matéria-prima encontrada com facilidade na região e sem prejudicar o meio ambiente. São cascas de coco, pupunha, licuri, piaçava e dendê, transformados em abajur, descanso para pratos, anéis, brincos, brinquedos e muitos outros acessórios. Antes de ter feito sucesso da Feira do Empreendedor, toda a produção era entregue a atravessadores para, depois, seguir para São Paulo. A cabaça vendida por menos de 50 centavos, agora vai render 80 centavos para atender ao projeto da doceira. E em uma quantidade bem mais significativa. Na Feira, foi negociada a 5 reais.

“O atravessador é ainda um mal necessário, por que eles ainda não têm um mercado que garanta a oferta produzida”, explica o gerente da unidade do Sebrae em Ilhéus, Renato Lisboa. “Mas aos poucos eles vão ampliando o leque de oportunidades de novos e bons negócios”, completa. Com a ajuda do Sebrae, eles também conseguiram se tornar artesãos profissionais com reconhecimento do respeitado Instituto Mauá. Incluso no PAB/Programa do Artesanato Brasileiro – MIDC/Ministério do Desenvolvimento e Comércio Exterior, o Mauá implementa ações de valorização do artesão elevando o seu nível cultural, social e econômico em parceria com as Coordenações Estaduais de Artesanato dos 26 estados e do Distrito Federal.

“Para a gente o Sebrae é tudo. Não temos como agradecer este apoio”, revela Manoel. “A entidade tem nos ajudado até a saber qual o verdadeiro valor do nosso trabalho”, completa. Para a prefeita de Camacan, as últimas iniciativas do Sebrae na valorização do trabalho dos artesãos de São João do Panelinha deram mais que uma oportunidade a quem já não enxergava mais o horizonte. “Mexeu com a autoestima de famílias inteiras”, que agora enxergam no trabalho mais que a realização de um sonho: uma forma de ganhar dinheiro, produzindo talento, recebendo respeito.

Fonte: Agência Sebrae de Notícias
Acesse: www.ba.agenciasebrae.com.br